Poça de prata, prisma na praça
Sobra de gole num fundo de taça
Braço de chuva, água sem massa
Que o sol desmaiado não soube secar
Resta um espelho, minha cota de graça
Dura um nadinha, como minha alegria
Se se pisca; passa!
Melhor você nem voltar
Vai embora
Antes que veja o tamanho do amor que tenho pra te dar
Corre daqui, nem me responde
É provável que não vá aguentar
Acho que você é daqueles que não conseguem nem imaginar
O clarão de luz nos olhos que te dou sem disfarçar
Vai, foge, some
Deixa meu peito cheio de ar
Isso me ajuda a cantar
Há noite em tudo que eu canto
Nas vozes que o tempo me empresta
O escuro devora meus olhos
E a luz do dia, lentamente escorre dos vãos
Minhas noites em claro
Se embrenham no coração dos meus ossos
E tingem de negro a minha pele
Molhada, amarela, ancestral
Meu sangue chama pelo seu
Distante
Coalhado de dores, azul de negro
Tudo à nossa volta...seu medo, meu cansaço e esse breu!
Sou seu medo
Sou a lua do seus dias claros
Fico, em cacos, no fundo do baú dos seus guardados
Alento manso num canto do seu pranto
Dia santo
E porque as chuvas ainda não vieram em minha casa esse ano?
Perdi meu caminho de volta
Não há mais retorno, daqui se anda pra frente, sem escudo nem escolta
Sou seu tanto de segredo
Guardados de mim, mentira sem fim
Sou movimento conhecido, seu eterno carrossel
Uma cura pra sua tristeza
Que nunca virá...
Pois remédio tem gosto de fel
Tira essa dor da frente dos olhos. Dá um descanso pro seu peito tão pesado. Brilha com o sol da manhã. Respira outra vez os ares da esperança. Deixa ir em paz quem já não deve estar aqui - porque no tempo, só vivemos o agora. Porque os abraços amargos de saudade só tocam o corpo de quem ficou. Olha pra dentro, olha pros lados...olha no máximo pra frente, pra que seus olhos não se percam nas imagens do impossível. Pula sem medo nas águas do rio escuro. São elas que te levarão a novas margens, caso as deixe te guiar. Presta mais atenção nas palavras de quem te olha nos olhos. Ali pode morar um mundo inteiro do que procuras como um cego sôfrego e cansado. Atina pra urgência de amar. Não escolhe demais, deixa que sejas escolhido. Abre a mão, abre os braços, abre aquele velho sorriso...abre o peito e a alma! Tem muita alegria sem dono, perdida à procura de abrigo no meio desse caos. E quando cair o manto da noite, deixa a escuridão cobrir sua pele. Deixa que a luz seja a promessa certeira de que enquanto estiveres por aqui, é ela que clareia sua estrada. Usa demasiada delicadeza pra tudo, com todos. Lembra de agradecer mais, de cantar mais, de ouvir mais. Lembra de ler nas entrelinhas. E respira a cada minuto os ventos da fé que transforma. Vive apenas a vida. E transforma em flor seu corpo que há tanto tempo dorme em coma nessa semente...
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